Selfie em Foco 2019
A curadoria do Paraty em Foco promoveu a chamada Selfie em Foco 2019, visando expor autorretratos criativos enviados por fotógrafos. Foram selecionados 32 autorretatos, evidenciando a variedade de expressões e abordagens. Participam da exposição Adilson Andrade, Alexandre Suplicy, Ana Gilbert, Antonio Salaverry, Arthur Kolbetz, Bruna Vianna, Carolina França, Cecilia Bethencourt, Felipe Garofalo, Fernanda Lider, Flavia Baxhix, Gilma Mello, Khalil Charif, Lilian Nader, Luci Polina, Luciana Crepaldi, Marcos Marcolla, Maria Jose Benassi, Mariana Pêgas, Marisa Souza, Mazé Martins, Natalia Rocha, Paula Mello, Rafael Silva, Renato Lo, Roberta Sucupira, Rossana Medina, Tacila Torres, Tika Tiritilli, Veronica Machado Nani, Victor Garcia e Zé Renato. Local: Pátio da Casa da Cultura. De 18 de setembro a 14 de outubro.
FINALISTAS ENSAIO






































Em julho de 2004, o fotógrafo italiano Giancarlo Mecarelli (Meca), esteve em Paraty durante a semana da 2ª FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty). Encantado com Centro Histórico e com o clima cultural envolvia a cidade, tomou uma decisão que mudaria totalmente sua vida: deixar a Itália, onde havia passado os 20 anos anteriores, para fundar, num casarão no Centro Histórico, a Galeria Zoom de Fotografia. Em 13 anos de funcionamento, o espaço se tornou uma referência cultural da cidade, numa história contada em detalhes nos links abaixo.
20ª EXPOSIÇÃO "NA LONA"
DE ROGÉRIO REIS
DE 30 DEZEMBRO A 28 DE FEVEREIRO 2010
























“A lona é a cortina entre o excesso e o que de fato quero ver” – diz Rogério Reis na introdução do livro Na Lona. Ao longo de catorze anos, Rogério fotografou o carnaval no Rio de Janeiro e esta exposição é uma seleção das imagens produzidas naquele período.
O retrato dá importância ao retratado, singulariza-o. Já a lona traz o foco para o indivíduo, antes confundido com a multidão. Destacando os foliões do contexto, Rogério os magnifica e, em seu palco – a lona – faz deles protagonistas.
As imagens nos mostram a inventividade e a criatividade do folião, que improvisa e cria fantasias com materiais precários, enfatizando o exagero e o excesso. Seu acervo lega à posteridade a riqueza de rostos, máscaras, fantasias e tipos humanos, onde reside a voz do atrevimento, a coragem de transgredir, a inversão de valores. As imagens do fotógrafo – feitas em preto e branco – fazem do carnaval, colorido por natureza, algo quase irreal.
O fundo liso – a lona – tornou famosos grandes retratistas franceses e é um recurso que acompanha os fotógrafos desde o início da fotografia, como forma de valorizar o cliente que encomendava o retrato. No século 19, diversos fotógrafos que viviam no Brasil utilizaram-no: Marc Ferrez, Alberto Henschel, Augusto Stahl ou Christiano Jr. O fundo neutro – seja ele de papel, lona, pano; uma parede ou qualquer coisa que destaque o retratado do entorno – é um recurso utilizado até hoje, já que é essencialmente ligado à representação. Lançam mão deste artifício de fotógrafos de moda a fotojornalistas. Irving Penn, que à frente de um fundo infinito pôs de modelos de alta-costura a nômades do Saara, disse, certa vez: “Preferi tarefa mais limitada: ocupar-me somente da pessoa, longe dos incidentes de sua vida cotidiana, vestindo simplesmente suas roupas e ornamentos, isolada em meu estúdio”.
É interessante lembrar que o fundo neutro não é utilizado, quando o interesse é contextualizar o retratado. Para Rogério, o contexto não era necessário: isolados, os foliões parecem, às vezes, com esculturas. Assim, a mensagem que carregam, muito mais social do que estética, também se destaca.
Todo retrato é uma máscara mortuária, uma ilusão de que podemos deter o tempo. Todo retrato nos coloca diante de nossa finitude. Mas estamos no carnaval e as deliciosas fotografias de Rogério Reis nos fazem viver a alegria que a vida pode nos proporcionar.
Joaquim Paiva,
Rio de Janeiro, novembro de 2009

